Parábola:: Aquilo que não morre nunca

MDH 6

Um dia, uma jovem foi à presença de Buda, aos prantos. Seu filho tinha acabado de morrer e ela, que já tinha perdido o marido, estava sozinha no mundo. A jovem esperava que Buda fizesse um milagre, desejando intimamente que lhe devolvesse a criança. Buda sorriu-lhe com bondade e lhe disse:

– Vá até a cidade e me traga algumas sementes de mostarda de uma casa onde ninguém tenha morrido.

Ela foi. Contudo, em todos os lugares recebeu a mesma resposta:

– Poderíamos lhe tantas sementes de mostarda quanto você quisesse, mas sua condição é impossível de cumprir! Muitas pessoas já entregaram sua alma nesta casa!

Ela passou o dia inteiro teimando e bateu de porta em porta, esperando encontrar uma casa onde a morte jamais tivesse passado. Quando caiu a noite, a jovem desistiu e entendeu que a morte faz parte do ciclo da vida e que era inútil querer negar isso. Voltou ao encontro de Buda, que perguntou se ela trouxera as sementes de mostarda. A jovem ajoelhou-se diante dele, dizendo:

– Não vou mais lhe pedir que devolva meu filho, porque ele morreria de qualquer modo, um dia ou outro. Em compensação, ensine-me aquilo que não morre nunca.

Parábola budista.

Discutindo: Esta história pode parecer muito dura: Como é possível aceitar a morte de uma criança? No entanto, em algumas filosofias, a pessoa deve aceitar o sofrimento como uma etapa, como uma provação inevitável. Conforme outras filosofias, a dignidade, ao contrário, está na revolta contra aquilo que nos parece inadmissível: o sofrimento, a velhice, a morte de uma criança…O que você acha? Como você reage diante das grandes dificuldades da vida?

Beijos Beijos

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Poesia:: As três peneiras

MDH 6

Um dia, um homem foi consultar o filósofo Sócrates e lhe disse:

– Ouça, Sócrates, eu preciso lhe dizer como foi que seu amigo se comportou.

– Interrompo você, de cara! – respondeu Sócrates – Você pensou em passar pelas três peneiras o que me vai dizer?

E como o homem olhava para ele com o ar de espanto, completou:

– Pois é. Antes de falar, é preciso sempre passar pela três peneiras o que se vai dizer. Vejamos. A primeira peneira é a da verdade, Você verificou se isso que você tem para me contar está realmente correto?

– Não, eu ouvi dizer e…

– Tudo bem! Mas suponho que você fez passar pelo menos pela segunda peneira, que é a da bondade. O que você quer me contar é, ao menos, uma coisa boa?

O homem hesitou e depois respondeu:

– Não, infelizmente não é nada de bom, ao contrário…

– Hum!…observou o filósofo – Ainda assim, vejamos a terceira peneira. O que você está com vontade de me dizer é uma coisa útil para se contar?

– Útil? Não é bem assim…

– Então não falemos mais nisso! – disse Sócrates – Se o que você tem para me dizer não é verdadeiro, nem bom, nem útil, prefiro ignorá-lo. E até aconselho você a esquecer…

Apólogo do filósofo grego Sócrates 

Discutindo: Contar aquilo que ouvimos dizer, frequentemente queima a nossa língua. Será que valeria mais a pena agir como Sócrates, passando antes essa intenção pelas três peneiras? Quais são os perigos de levar adiante o disse-me-disse e os boatos?

Beijos Beijos

Poesia:: O sonho da borboleta

MDH 6

Um filósofo chinês conta esta história de dar vertigem: ” Enquanto dorme, um homem sonha que é uma borboleta: voa de flor em flor, busca o pólen, abre e fecha as asas. Ele tem a rapidez, a graça e a fragilidade da borboleta. De repente, acorda e percebe com espanto que é um homem. Mas é home que acaba de sonhar que era borboleta? Ou é uma borboleta que sonha que é um homem?”.

Segundo Chuang Tse, sábio taoista chinês.

Discutindo: O sonho e suas ilusões sempre entusiasmaram os filósofos. O motivo é que, quando sonhamos, tudo nos parece real. Portanto, como saber se não estamos no meio de um sonho neste instante? ” A vida é um sonho”, escreveu o poeta espanhol Calderón de la Barca. E Jorge Luis Borges, escritos argentino, foi mais longe ainda, imaginando que nossa vida não era senão o sonhos de outra criatura…Você já chegou a alguma vez a duvidar de sua própria realidade? Como se convencer dela?

Beijos Beijos