Poesia:: As três peneiras

MDH 6

Um dia, um homem foi consultar o filósofo Sócrates e lhe disse:

– Ouça, Sócrates, eu preciso lhe dizer como foi que seu amigo se comportou.

– Interrompo você, de cara! – respondeu Sócrates – Você pensou em passar pelas três peneiras o que me vai dizer?

E como o homem olhava para ele com o ar de espanto, completou:

– Pois é. Antes de falar, é preciso sempre passar pela três peneiras o que se vai dizer. Vejamos. A primeira peneira é a da verdade, Você verificou se isso que você tem para me contar está realmente correto?

– Não, eu ouvi dizer e…

– Tudo bem! Mas suponho que você fez passar pelo menos pela segunda peneira, que é a da bondade. O que você quer me contar é, ao menos, uma coisa boa?

O homem hesitou e depois respondeu:

– Não, infelizmente não é nada de bom, ao contrário…

– Hum!…observou o filósofo – Ainda assim, vejamos a terceira peneira. O que você está com vontade de me dizer é uma coisa útil para se contar?

– Útil? Não é bem assim…

– Então não falemos mais nisso! – disse Sócrates – Se o que você tem para me dizer não é verdadeiro, nem bom, nem útil, prefiro ignorá-lo. E até aconselho você a esquecer…

Apólogo do filósofo grego Sócrates 

Discutindo: Contar aquilo que ouvimos dizer, frequentemente queima a nossa língua. Será que valeria mais a pena agir como Sócrates, passando antes essa intenção pelas três peneiras? Quais são os perigos de levar adiante o disse-me-disse e os boatos?

Beijos Beijos

Poesia:: O sonho da borboleta

MDH 6

Um filósofo chinês conta esta história de dar vertigem: ” Enquanto dorme, um homem sonha que é uma borboleta: voa de flor em flor, busca o pólen, abre e fecha as asas. Ele tem a rapidez, a graça e a fragilidade da borboleta. De repente, acorda e percebe com espanto que é um homem. Mas é home que acaba de sonhar que era borboleta? Ou é uma borboleta que sonha que é um homem?”.

Segundo Chuang Tse, sábio taoista chinês.

Discutindo: O sonho e suas ilusões sempre entusiasmaram os filósofos. O motivo é que, quando sonhamos, tudo nos parece real. Portanto, como saber se não estamos no meio de um sonho neste instante? ” A vida é um sonho”, escreveu o poeta espanhol Calderón de la Barca. E Jorge Luis Borges, escritos argentino, foi mais longe ainda, imaginando que nossa vida não era senão o sonhos de outra criatura…Você já chegou a alguma vez a duvidar de sua própria realidade? Como se convencer dela?

Beijos Beijos

Poesia:: O hashi de marfim

MDH 6

Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fabricar, com um pedaço de marfim valioso, um hashi. Quando o rei, seu pai, que era um sábio, soube disso, foi procurá-lo e explicou o seguinte:

– Você não deve fazer isso, porque esse hashi luxuoso pode levar você à perdição!

O jovem príncipe ficou confuso. Ele não sabia se seu falava sério ou se estava zombando dele.

Mas o pai continuou:

– Quando você tiver seu hashi de marfim, vai perceber que ele não combina com as louças que temos à mesa. Você vai precisar de aparelhos de jantar de jade. Ou, então, as louças de jade e o hashi de marfim não vão combinar com comidas muito simples. Você vai precisar de iguarias finas e requintadas. Um homem que saboreou esses acepipes não saberia se contentar com roupas de algodão e viver numa casa simples e austera. Você vai precisar de vestes de seda e de palácios magníficos. Para dispor de tudo isso, você vai gastar as finanças de reino e seus desejos jamais serão satisfeitos. Você vai acabar numa vida de luxo e de gastos que não conhecerá limites. A infelicidade se abaterá sobre os nossos camponeses e o reino mergulhará na ruína e na desolação… Pois o seu hashi de marfim é como uma fenda insignificante na muralha, mas que termina destruindo toda a construção.

O jovem príncipe deixou mais tarde um monarca famoso por sua sabedoria.

Conto de filósofo chinês Han Fei (século 3º antes de nossa era)

Discutindo: Um desejo chama outro, e todo desejo satisfeito muitas vezes chama outro maior. Nós vivemos em sociedades em que somos constantemente solicitados e tentados. A publicidade nos meios de comunicação é feita para nos apresentar sempre e cada vez mais coisas novas para juntarmos, a maioria delas supérflua. O que fazer para escapar dessa espiral?

Beijos Beijos