Conto:: Diógenes e as lentilhas

MDH 6

O filósofo grego Diógenes, que, se diz, vivia em um tonel, é muito conhecido por seu amor absoluto pela liberdade e pela natureza. Um dia em que ele estava começando a fazer sua leve refeição de sopa de lentilhas, foi interpelado pelo filósofo Aristipo, que, por sua vez, levava uma vida dourada, pois fazia parte da corte do rei.

Com uma ponta de desprezo, Aristipo disparou:

– Sabe, se você aprendesse a se sujeitar ao rei, não seria constrangido a se contentar com restos, como esse vulgar prato de lentilhas!

Diógenes, fulminando-o com o olhar, replicou:

– Se você tivesse aprendido a se contentar com lentilhas, teria aprendido a não se sujeitar ao rei.

Conta-se também que o grande rei Alexandre, que admirava o desprendimento de Diógenes, foi visitá-lo um dia. Diógenes estava deitado ao Sol, seminu. Alexandre, o Grande, se aproximou e lhe declarou toda a sua admiração:

– Peça o que quiser e eu lhe darei!

Diógenes levantou a cabeça e respondeu simplesmente:

– Saia da frente do meu Sol!

Conta-se ainda que Diógenes tinha um escravo de nome Manes. Um dia, o escravo fugiu e Diógenes não teve a mínima preocupação de procurá-lo. Todos os seus amigos ficaram espantados:

– E daí? – disse-lhes Diógenes. – Manes pode viver sem Diógenes eu não poderia viver sem Manes? Meu escravo fugiu, Diógenes é que ficou livre!

Apólogo do filósofo grego Diógenes.

Discutindo: Diógenes nos ensina que a liberdade tem um preço. Para ser totalmente livre, não é necessário estar apegado a bens materiais, porque tudo o que possuímos, por sua vez, nos possui. Você acha que não ter nada,  não desejar nada é um exemplo a ser seguido, ou é apenas uma história destinada a nos ensinar os riscos que existem em querer possuir coisas demais? Que riscos seriam esses? Que coisa você está pronto a renunciar pela sua liberdade?

Beijos Beijos

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Parábola:: Aquilo que não morre nunca

MDH 6

Um dia, uma jovem foi à presença de Buda, aos prantos. Seu filho tinha acabado de morrer e ela, que já tinha perdido o marido, estava sozinha no mundo. A jovem esperava que Buda fizesse um milagre, desejando intimamente que lhe devolvesse a criança. Buda sorriu-lhe com bondade e lhe disse:

– Vá até a cidade e me traga algumas sementes de mostarda de uma casa onde ninguém tenha morrido.

Ela foi. Contudo, em todos os lugares recebeu a mesma resposta:

– Poderíamos lhe tantas sementes de mostarda quanto você quisesse, mas sua condição é impossível de cumprir! Muitas pessoas já entregaram sua alma nesta casa!

Ela passou o dia inteiro teimando e bateu de porta em porta, esperando encontrar uma casa onde a morte jamais tivesse passado. Quando caiu a noite, a jovem desistiu e entendeu que a morte faz parte do ciclo da vida e que era inútil querer negar isso. Voltou ao encontro de Buda, que perguntou se ela trouxera as sementes de mostarda. A jovem ajoelhou-se diante dele, dizendo:

– Não vou mais lhe pedir que devolva meu filho, porque ele morreria de qualquer modo, um dia ou outro. Em compensação, ensine-me aquilo que não morre nunca.

Parábola budista.

Discutindo: Esta história pode parecer muito dura: Como é possível aceitar a morte de uma criança? No entanto, em algumas filosofias, a pessoa deve aceitar o sofrimento como uma etapa, como uma provação inevitável. Conforme outras filosofias, a dignidade, ao contrário, está na revolta contra aquilo que nos parece inadmissível: o sofrimento, a velhice, a morte de uma criança…O que você acha? Como você reage diante das grandes dificuldades da vida?

Beijos Beijos

Poesia:: As três peneiras

MDH 6

Um dia, um homem foi consultar o filósofo Sócrates e lhe disse:

– Ouça, Sócrates, eu preciso lhe dizer como foi que seu amigo se comportou.

– Interrompo você, de cara! – respondeu Sócrates – Você pensou em passar pelas três peneiras o que me vai dizer?

E como o homem olhava para ele com o ar de espanto, completou:

– Pois é. Antes de falar, é preciso sempre passar pela três peneiras o que se vai dizer. Vejamos. A primeira peneira é a da verdade, Você verificou se isso que você tem para me contar está realmente correto?

– Não, eu ouvi dizer e…

– Tudo bem! Mas suponho que você fez passar pelo menos pela segunda peneira, que é a da bondade. O que você quer me contar é, ao menos, uma coisa boa?

O homem hesitou e depois respondeu:

– Não, infelizmente não é nada de bom, ao contrário…

– Hum!…observou o filósofo – Ainda assim, vejamos a terceira peneira. O que você está com vontade de me dizer é uma coisa útil para se contar?

– Útil? Não é bem assim…

– Então não falemos mais nisso! – disse Sócrates – Se o que você tem para me dizer não é verdadeiro, nem bom, nem útil, prefiro ignorá-lo. E até aconselho você a esquecer…

Apólogo do filósofo grego Sócrates 

Discutindo: Contar aquilo que ouvimos dizer, frequentemente queima a nossa língua. Será que valeria mais a pena agir como Sócrates, passando antes essa intenção pelas três peneiras? Quais são os perigos de levar adiante o disse-me-disse e os boatos?

Beijos Beijos